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A Bíblia nos transmite a palavra de Deus que é alimento para os nossos corações. Jesus disse: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”.
Pe. Luiz Pecci
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Setembro é o mês da Bíblia. A Bíblia nos transmite a palavra de Deus que é alimento para os nossos corações. Jesus disse: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”.
Todos os “outros alimentos” que não sintonizam com a Palavra de Deus e com os ensinamentos de Jesus não trazem vida mas deixam os nossos corações vazios.
É fundamental que nós católicos estejamos sempre lendo a Sagrada Escritura, tanto os livros do Antigo como os livros do Novo Testamento. Se há estudo com o qual nos devemos especializar e empolgar é o estudo das Sagradas Escrituras que nos leva a conhecer e viver, na nossa vida, individual, social, familiar e política a Palavra de Deus que é a Palavra de Vida. É Palavra que nos interroga, interpela e nos leva a tomar uma posição na vida. Não podemos ficar indiferentes e frios principalmente diante do que Jesus nos ensina nos Evangelhos. O conhecimento de tudo o que Jesus nos ensinou deve-nos levar a um compromisso vital com a sua Pessoa. Se tal não acontecer é porque a leitura da Bíblia e dos Evangelhos não passou de uma leitura de erudição, uma leitura com a qual nos interessamos apenas para enriquecer os nossos conhecimentos.
É importante nos lembrarmos que os livros do Antigo Testamento foram escritos para mostrar como Deus acompanhou de perto a História do seu povo. Eles querem mostrar que Javé (nome de Deus) é um Deus histórico, sempre presente e lutando pela fidelidade do povo à Aliança, incentivando ou condenando as infidelidades e a idolatria. É um Deus que luta pela liberdade e contra qualquer forma de escravidão. É um Deus que detesta os soberbos e escolhe os humildes para realizar seus grandes planos.
Os livros do Antigo Testamento não foram escritos dentro de “gabinetes fechados”. São livros que retratam a história do Povo Eleito na qual Deus esteve sempre presente e falando principalmente através dos profetas. Portanto, para entendê-los, é preciso conhecer a História desse povo. É preciso conhecer sua cultura, seus costumes e até seu modo plástico de se expressar pois tudo isso aparece ao vivo nos livros sagrados. É preciso também conhecer a finalidade que o autor sagrado tinha em mente ao redigir o seu livro. Há livros como o de Jô, Jonas e outros, em que a história é inventada. A mente do autor era transmitir um ensinamento religioso importante através dessas histórias.
O importante portanto, nesses livros, não é a história fictícia, ainda que seja muito bonita, mas, o ensinamento teológico subjacente. Esta é que é a Palavra de Deus que nos fala: o modo de Deus encarar os acontecimentos da vida e interpretar esses acontecimentos segundo a visão de Deus.
Mesmo os livros chamados “históricos” que contam a história do povo, desde a espetacular saída do Egito são escritos em forma de Epopéia. Eles aumentam os fatos para mostrar a força e o poder de Deus em benefício do seu povo. Mas o Deus da Bíblia é um Deus que quer a justiça e condena veementemente as injustiças. O castigo das injustiças, principalmente contra os humildes, os órfãos e as viúvas, são as invasões dos povos vizinhos e as deportações e exílios. Mas os castigos de Deus não são vingança, mas um corretivo forte para que todos se arrependam e voltem atrás, sendo fiéis à Aliança que se expressa nessas palavras, freqüentes nos profetas: “Eu serei o vosso Deus e vocês serão o meu povo”.
O mesmo podemos falar dos evangelhos, que nos transmitem alguns fatos da vida de Jesus e os seus ensinamentos. É bom lembrarmos que os Evangelhos foram escritos vários anos depois dos acontecimentos narrados e, as suas narrações estão iluminadas pela Fé no Cristo Ressuscitado. O enfoque portanto dos evangelistas não é o mesmo que o de um historiador que narra com frieza os acontecimentos passados. A fé no Cristo Ressuscitado, que venceu a morte e o mal e que está presente na sua Igreja, leva os Evangelistas a contarem a sua vida com o entusiasmo de quem está falando de Jesus como aquele que, sendo filho de Deus, veio a nós, mandado pelo amor do Pai e nos ensinou o verdadeiro caminho que nos leva a Ele; nos ensinou que Deus é Nosso Pai e que nós somos todos irmãos uns dos outros. E os milagres de Jesus, narrados nos Evangelhos mostram o seu poder como Filho de Deus feito homem. A leitura dos Evangelhos, segundo a intenção de seus autores, nos deve levar a um conhecimento, amor e seguimento de Jesus. Deve levar-nos a nos tornarmos seus discípulos. Neste sentido, os Evangelhos não devem ser considerados como uma mera história cronológica de Jesus. Eles foram escritos relatando alguns fatos significativos da vida do Mestre e alguns de seus ensinamentos para despertarem nas comunidades primitivas e em nós a “Fé em Jesus Filho de Deus”. Mesmo alguns episódios da vida de Jesus eles o descrevem num “quadro literário maior”, visando a importância do seu significado e do ensino nele contido.
É importante ressaltar que o Jesus histórico dos Evangelhos não foi criado pela Fé dos Apóstolos. Pelo contrário, a Fé em Jesus é que nasceu do Jesus que viveu e ensinou. Não foi a Fé que criou Jesus mas Jesus que despertou a Fé. Primeiro Jesus, depois a Fé Nele. Enfim, a Bíblia, Antigo e Novo Testamento não são livros de leitura como outro qualquer, é um livro no qual Deus nos fala. Sobre esta Palavra de Deus devemos meditar e a este Deus da Palavra devemos orar.
É bom lembrar também que a Bíblia é o maior tesouro da Igreja, nossa mãe. É ela que nos orienta na compreensão exata do sentido da Palavra de Deus. A Bíblia é a Palavra escrita. A Igreja é a palavra viva. A leitura da Bíblia nos deve levar ao amor à Igreja pois foi dela que recebemos esse tesouro. É bom lembrar que o Novo Testamento: Evangelhos, Atos dos Apóstolos, Cartas, Apocalipse nasceu na Igreja. As comunidades cristãs já viviam intensamente suas vidas de oração e louvor centrada na celebração da Eucaristia. A partir dos anos 60 até o ano 100 apareceram os Evangelhos que foram aceitos pela Igreja que os inseriu no Cânon dos Livros Sagrados junto com os livros do Antigo Testamento. Quem nos garante a credibilidade dos Evangelhos é a Igreja. Sem ela não teríamos esses livros preciosos que fixaram por escrito a vida e os ensinamentos de Jesus. A Igreja não nasceu dos Evangelhos, nasceu do próprio Jesus. Os evangelhos sim, nasceram na Igreja. Neste sentido podemos dizer: primeiro a Igreja, depois os evangelhos.
O que interessava para Jesus não eram livros escritos mas a comunidade viva que vivia e transmitia para as gerações seguintes os ensinamentos do Mestre. A comunidade viva, que vem das origens e chegou até nós é muito mais importante que os livros escritos. Aliás, os livros escritos: Evangelhos, Atos dos Apóstolos, Cartas, Apocalipse, não fazem outra coisa a não ser retratar a fé da comunidade viva.
Mas agradeçamos a Deus termos escritos do Novo Testamento. Façamos dele nossa leitura de cabeceira. Façamos deles a base de nossas orações, de nossa vida interior e de nossa espiritualidade.
Pe. Luiz Pecci
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